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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Governo abre 2 hospitais de campanha e manda 50 médicos ao RJ

Governo abre 2 hospitais de campanha e manda 50 médicos ao RJ
13 de janeiro de 2011 • 18h16 • atualizado às 18h36

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13.01 - Rio de Janeiro  estudante doa sangue no Hemotório. Foto: Paulo Alvadia/O Dia O ministro da saúde, Alexandre Padilha, pediu que os cariocas doem sangue
Foto: Paulo Alvadia/O Dia

Rodrigo Teixeira
Direto do Rio de Janeiro
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se reuniu na tarde desta quinta-feira com a presidente Dilma Rousseff (PT) antes da entrevista coletiva que ela e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), prestaram sobre as chuvas na região serrana do Estado. Padilha anunciou que o governo federal erguerá dois hospitais de campanha até amanhã, enviará 50 médicos ao Rio e disponibilizará alas nos hospitais federais para atendemento de vítimas.
"Estamos colocando à disposição do Rio de Janeiro médicos que já participaram de outras ações, como no terremoto do Haiti. Eu quero fazer um pedido aos cariocas: que não deixem de doar sangue, especificamente no HemoCentro do Rio. Para esse primeiro procedimento de socorro, é imprescindível um estoque razoável de sangue", disse Padilha.
O Ministério da Saúde antecipou ao governo do Rio R$ 9 milhões de recursos para erguer os hospitais de campanha - um foi montado em Teresópolis e o outro funciona a partir de amanhã em Nova Friburgo. Além disso, 7 t de suprimentos médicos e remédios foram enviados pelo ministério. Alexandre Padilha também afirmou que os seis hospitais federais do Rio já estão com alas específicas para receber possíveis vítimas de traumas da região serrana.
Foram suspensas as férias de enfermeiros e auxiliares para ajudar nos resgates e para dar assistência nos hospitais de campanha. Cerca de 300 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem) estão de prontidão para ajudar. Os seis hospitais federais já estão aptos a realizar 25 cirurgias por dia. Até o momento, 23 vítimas estão internadas nos seis hospitais federais.
Autoridades informaram, nesta quinta-feira, que o número de mortos em decorrência das fortes chuvas na região serrana subiu para 431. Na cidade de Sumidouro, 17 novas vítimas haviam sido encontradas em meio a escombros até as 14h50, após desmoronamentos ocorridos na zona rural do município, segundo a prefeitura. As buscas continuavam no horário, e a previsão é de que mais corpos sejam encontrados quando as equipes conseguirem chegar em localidades de difícil acesso. O Instituto Médico Legal (IML) está ajudando nas

Família de Nova Friburgo revive drama de perder a casa

Família de Nova Friburgo revive drama de perder a casa
13 de janeiro de 2011 • 20h41 • atualizado às 21h04

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13.01 - Nova Friburgo/RJ : na foto, construção completamente destruída. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil A cidade de Nova Friburgo foi uma das mais afetadas da região serrana
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Onze pessoas da mesma família dividiam nesta quinta-feira o salão de festas de um clube de Nova Friburgo com dezenas de desabrigados pelas chuvas de ontem. Para a dona de casa Renata da Silva, 28 anos, não foi a primeira vez que ela viveu o drama de perder a casa num temporal e ter que recorrer a um abrigo improvisado para alojar a família.
Ela relatou que, em 2007, fortes chuvas atingiram Nova Friburgo e destruíram a casa que ela dividia com os pais e a família do irmão, na localidade de Córrego Dantas. Quatro anos depois de erguer uma nova casa no mesmo terreno, ela volta a ficar sem teto.
"É muito triste reviver isso. Perdi tudo o que eu tinha, minhas roupas, meus móveis. Agora não dá mais para reconstruir ali. Vamos procurar alugar uma casa e, depois, ver se podemos comprar um terreno que seja seguro", disse Renata, que está grávida e se abriga no local com o marido, os três filhos, os pais e a família do irmão.
O marido de Renata, o frentista Veríssimo Rocha, 33 anos, também lamenta a perda do patrimônio e de praticamente todos os pertences da família. "Tudo o que a gente tinha estava dentro da casa, até a escova de dentes. Não sei se dá para recuperar alguma coisa, porque nem tivemos a oportunidade de chegar perto da casa para ver como ela está", disse.
No mesmo abrigo da Sociedade Esportiva Friburguense, Paulo César Caetano, 53 anos, conta que perdeu a casa e que está sozinho. "Em cinco minutos perdi minha casa e tudo que eu tinha. Consegui sair. Meu filho, a mulher dele e a minha netinha também conseguiram sair. Mas não sei onde eles estão porque ainda não consegui falar com meu filho depois disso", disse.
O abrigo na Sociedade Esportiva Friburguense, no centro da cidade serrana, está recebendo donativos para os desabrigados, como água, alimentos, colchões e material de higiene. A prefeitura de Nova Friburgo ainda não tem uma estimativa do número de desabrigados na cidade.
Número de mortos não para de crescer

Autoridades informaram, nesta quinta-feira, que o número de mortos em decorrência das fortes chuvas na região serrana do Rio de Janeiro subiu para 444. Após desmoronamentos na zona rural de Sumidouro, 19 pessoas foram encontradas sem vida. Em Nova Friburgo, pelo menos 214 pessoas morreram; em Teresópolis, 208; e em Petrópolis, 39. O Instituto Médico Legal (IML) do Estado está ajudando nas identificações.

Em três horas, Nova Friburgo teve mais da metade da chuva de janeiro

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 Em três horas, Nova Friburgo teve mais da metade da chuva de janeiro
14 de janeiro de 2011 • 05h01 • atualizado às 05h12

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12.01 Nova Friburgo/RJ:  morro convive com chances de deslizamento. Foto: Ivaldo Anastácio/Futura Press Casas ficam à baira do desabamento depois que encosta deslizou pelas chuvas
Foto: Ivaldo Anastácio/Futura Press
Entre uma e quatro horas da madrugada de quarta-feira (12), choveu em Nova Friburgo, um dos quatro municípios devastados pela chuva na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, 111 mm - mais que a metade considerada normal para janeiro (209 mm). Da 0h às 8h, a quantidade de chuva chegou a superar o índice pluviométrico esperado para o mês no município: 279,6 mm. Os cálculos são da Climatempo.
Por conta do grande volume de água, encostas cederam e rios transbordaram, destruindo boa parte da cidade, que contabilizava, até o final da noite de quinta-feira, pelo menos 216 mortes dentro de um total de 497 registrados no Rio. Número que deve aumentar, já que ainda há pessoas soterradas em áreas às quais as equipes de resgate não têm acesso.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Nova Friburgo, Roberto Robadey, o cenário é de guerra e há muita lama, água e lodo espalhados. "Essa é a maior tragédia da história da cidade", afirmou, ao lembrar a última grande tragédia do município, ocorrida em 1979, quando 69 pessoas morreram.
A situação caótica levou até a presidente Dilma Rousseff a constatar de perto a devastação, que deixou uma conta de R$ 600 milhões para os cofres públicos como forma de recuperar a cidade. Pontes e estradas, casas e prédios, tudo foi abalado. "Começamos a fazer as contas e a demanda será maior que a de Teresópolis", disse, ao ser informado que a prefeitura da cidade vizinha calcula que vai precisar de, no mínimo, R$ 590 milhões.

RJ: ex-prefeito de Nova Friburgo e filho morrem soterrados

RJ: ex-prefeito de Nova Friburgo e filho morrem soterrados

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RJ: ex-prefeito de Nova Friburgo e filho morrem soterrados
13 de janeiro de 2011 • 15h32 • atualizado às 15h42

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12.01 - Nova Friburgo/RJ:  moradores tentam encontrar pertences após deslizamento. Foto: Cristiano Lopes/O Dia

Moradores tentam encontrar pertences após deslizamento
Foto: Cristiano Lopes/O Dia

Autoridades da região serrana do Rio de Janeiro informaram, nesta quinta-feira, que o ex-prefeito de Nova Friburgo Paulo Azevedo e seu filho Mateus morreram durante o temporal que atingiu a cidade desde o início da semana e registoru um saldo de pelo menos 168 mortos.

A Defesa Civil informou que Azevedo e o filho estavam em um sítio no bairro de Campo do Coelho, local atingido pela fortes chuvas. A residência foi coberta por pedras e lama.

As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. Pelo menos 385 pessoas morreram nas cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e a Defesa Civil, em 24 horas foram registrados 140 mm de chuva, volume esperado para todo o mês de janeiro na região.


RJ: Dilma visita escombros de prédio em Nova Friburgo

RJ: Dilma visita escombros de prédio em Nova Friburgo

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RJ: Dilma visita escombros de prédio em Nova Friburgo
13 de janeiro de 2011 • 14h26 • atualizado às 18h32

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13.01 - Nova Friburgo/RJ:   Dilma e sua equipe vistoriaram a busca dos bombeiros nos destroços de um prédio em Nova Friburgo. Foto: Roberto Stuckert Filho-PR/Divulgação

Dilma e sua equipe vistoriaram a busca dos bombeiros nos destroços de um prédio em Nova Friburgo
Foto: Roberto Stuckert Filho-PR/Divulgação

A presidenta Dilma Rousseff e sua comitiva vistoriaram, nesta quinta-feira, o trabalho de busca de militares do Corpo de Bombeiros nos destroços de um prédio na rua Major Augusto Marques Braga, no centro de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. A construção desabou na noite de terça-feira.

Durante uma caminhada na região, a presidente viu o comércio fechado, pontos de deslizamento, pessoas nas ruas tentando salvar o que sobrou de suas casas, ambulâncias e muita lama. Após a vistoria, Dilma segue para a sede da prefeitura de Nova Friburgo, onde tem encontro com prefeitos da região.

A comitiva presidencial decolou por volta das 10h25 da Base Aérea de Brasília rumo ao Rio de Janeiro, para sobrevoar as áreas atingidas pelas chuvas no Estado. Na região serrana do Rio, balanço parcial já aponta a morte de 382 pessoas vítimas de enxurradas e deslizamentos de terra.


Médico diz que situação em Nova Friburgo é de 'calamidade'

Médico diz que situação em Nova Friburgo é de 'calamidade'
12.01 - Nova Friburgo/RJ:  moradores tentam encontrar pertences após deslizamento. Foto: Cristiano Lopes/O Dia

Moradores tentam encontrar pertences após deslizamento
Foto: Cristiano Lopes/O Dia

O médico Luís Fernando Azevedo, que estava de plantão no Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, disse nesta quinta-feira que a situação na cidade é "calamidade" e que uma das soluções encontradas pela prefeitura foi montar algumas bases improvisadas, para atender ao excesso de feridos.

O hospital, o único do município, não consegue dar conta do grande número de pacientes vítimas dos deslizamentos de terra, desabamentos de imóveis e enchentes provocados pela forte chuva que caiu na madrugada de quarta-feira. São casos de pessoas com lesões e fraturas, que procuram assistência hospitalar.

A capacidade de atendimento do hospital foi ainda mais reduzida depois que o ambulatório no primeiro andar do edifício foi inundado pela água barrenta dos rios, segundo o médico Luís Fernando Azevedo.

"De repente, a água subiu muito rápido. Tivemos que subir os pacientes para o segundo andar e perdemos todo o setor em que atendemos as emergências. Aí, foram chegando os traumas. Imediatamente foi aberto o centro cirúrgico, para atender às fraturas graves", disse.

Uma dessas bases improvisadas foi montada em um galpão dentro do próprio terreno da prefeitura, onde colchões foram espalhados pelo chão para atender aos feridos. "Nossa situação é difícil. Até agora estamos conseguindo atender com os medicamentos que temos, mas sabemos que eles (os medicamentos) vão acabar pela quantidade de doentes. Precisamos de ajuda", disse o médico.

O caseiro João Oliveira da Silva, 35 anos, era um dos feridos atendidos no galpão improvisado da prefeitura. Com um corte profundo na perna, João descansava sentado em uma cadeira de rodas, enquanto era medicado.

Ele contou que estava em casa, quando ela desabou na madrugada de quarta-feira. Ele chegou a ser soterrado pelos escombros, mas diz que conseguiu escapar sozinho. "A água da chuva derrubou as casas e a gente estava dentro. Começou a deslizar e foi desmoronando tudo. Perdi minha mulher, meu filho e meu patrão também soterrados. Está todo mundo soterrado lá."